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De missionário a fundador: a fé no meu jeito de construir

Escolhi o nome Splendor por causa de Isaías 35. O capítulo traz a imagem de um deserto que floresce e fala do esplendor de Deus. Essa imagem diz muito sobre o que eu quero construir com o meu trabalho: um lugar onde pessoas possam desenvolver o que têm de bom e usar isso para fazer algo que vale a pena.

O nome carrega uma pergunta que continua comigo: o que acontece com as pessoas enquanto a empresa cresce?

Uma empresa envolve clientes, contratos, metas e entregas. Também envolve gente aprendendo, errando, precisando de ajuda e tentando fazer um bom trabalho. A minha fé entra nessa conversa. Ela influencia o que eu considero valioso e a responsabilidade que eu vejo em liderar.

Se você me conheceu pelos vídeos de marketing e tecnologia, essa parte da história ajuda a entender de onde vem o jeito que eu penso a Splendor.

A técnica já fazia parte da missão

Sou de Brasília e estudei Ciência da Computação na UnB. Trabalhei como desenvolvedor, inclusive no PNUD, em uma equipe que acompanhava os biomas brasileiros por imagens de satélite. Também trabalhei como programador em um banco.

Em 2008, passei alguns meses em Moçambique em uma viagem missionária. Foi nessa temporada que senti o chamado para ser missionário.

Nos anos seguintes, abri uma primeira agência, a VivaVida, e voltei ao trabalho missionário. Passei pela base de Kona, no Havaí, e cuidei do marketing de uma organização missionária no Brasil entre 2014 e 2017.

Ao longo desse caminho, continuei trabalhando com comunicação, marca e tecnologia. Havia uma mensagem para tornar compreensível, uma organização para apoiar, alguma coisa que precisava ser construída. As habilidades técnicas participavam do trabalho que eu entendia como missão.

Em 2016, fui enviado aos Estados Unidos para ajudar a abrir uma base missionária. A operação da Splendor começou ali em 2017, comigo sozinho. Em 2018, a gente abriu a operação no Brasil.

Quando conto essa história, o fio que me interessa é a vontade de servir por meio daquilo que sei fazer. Programar, comunicar e construir uma empresa passaram a fazer parte dessa mesma conversa.

O que o nome pede de mim

Cresci em Brasília vendo de perto a distância entre a concentração de poder e a dificuldade de amigos que viviam nas regiões ao redor. Isso ajudou a formar em mim a vontade de construir alguma coisa que refletisse a bondade de Deus.

A imagem de Isaías 35 dá linguagem a essa vontade. Para mim, o nome Splendor aponta para vida, criatividade e a possibilidade de ver algo florescer onde antes havia dificuldade.

Quando essa ideia chega à empresa, ela me coloca diante de responsabilidades bem concretas. Quem está aqui tem espaço para aprender? Consegue pedir ajuda? Entende o que estamos tentando fazer? O trabalho permite que essa pessoa contribua com aquilo que faz bem?

É por isso que, quando penso em missão dentro da Splendor, começo pelo time. A qualidade da experiência de quem trabalha comigo faz parte do que quero construir. O cuidado com o cliente precisa acontecer junto disso.

Essa intenção aparece nos valores que escrevemos para a empresa: honra e cuidado, integridade, excelência, relações. Colocar essas palavras num documento cria um compromisso. Depois vem o trabalho de conferir se as decisões estão combinando com elas.

Cuidado também precisa de clareza

Uma das convicções que orientam meu jeito de liderar é que as pessoas têm capacidades diferentes e complementares. Eu não sou bom em tudo. Preciso de gente que faça bem coisas que eu faço com dificuldade, e preciso dar espaço para essa gente contribuir.

Essa leitura tem relação com a minha fé e com a maneira como entendo o trabalho em equipe. Tem gente com facilidade para enxergar uma direção, gente que sabe ensinar, gente que mobiliza e gente que percebe quando alguém está precisando de apoio.

Vamos trazer isso para uma situação de trabalho. Imagine uma equipe preparando o lançamento de um site. É um exemplo hipotético. Uma pessoa consegue transformar uma conversa solta em uma boa proposta visual. Outra tem facilidade para organizar os detalhes, conferir o formulário e perceber o que ficou faltando.

Eu quero criar espaço para essas contribuições se encontrarem. Isso exige combinar quem decide, quem executa, quem revisa e quando uma dúvida precisa voltar para a conversa. Se tudo depender de adivinhar o que o líder está pensando, a equipe vai gastar energia tentando acertar uma expectativa que ninguém explicou.

Nesse exemplo, cuidado pode aparecer em um prazo discutido antes de ser prometido ao cliente. Em uma revisão que aponta o problema com respeito. Em uma pessoa recebendo contexto suficiente para fazer bem o trabalho.

E excelência pode aparecer na mesma cena: testar o formulário, corrigir o erro e conferir a entrega. A atenção técnica também é uma forma de cuidar de quem vai usar o que a gente está construindo.

Uma pergunta para levar ao trabalho

Falar sobre fé e empresa me traz de volta a uma responsabilidade pessoal: olhar para as minhas próprias escolhas. O nome expressa uma direção que preciso continuar praticando. Ele também me dá uma referência para reconhecer quando alguma coisa precisa mudar.

Você pode fazer essa reflexão a partir dos valores que orientam a sua vida. Escolha um deles e pense em uma decisão que está na sua frente agora.

Se o valor é cuidado, quem será afetado pelo prazo que você está prestes a combinar? Se é integridade, o que ainda precisa ficar claro na promessa feita ao cliente? Se é desenvolvimento, qual parte do trabalho alguém poderia aprender com orientação e tempo para praticar?

Escolha uma resposta e transforme em uma ação pequena o bastante para caber nesta semana. Pode ser rever uma expectativa, explicar melhor uma tarefa ou abrir espaço para ouvir quem vai executar. Depois, volte à decisão e confira o que aconteceu.

Para mim, a fé continua presente nesse trabalho cotidiano. Quero que ela seja reconhecível no jeito de tratar alguém, de assumir uma responsabilidade e de usar o conhecimento que recebi.

Já escrevi sobre essa busca em A teologia do simples. É uma oração sobre motivação e sobre manter o coração perto daquilo que importa.